Críticas

Maktub | Comédia israelense que mistura fofura e violência

 

Uma das coisas mais legais do catálogo da Netflix é a diversidade de títulos que são produzidos em diversos países. Se não fosse por isso, eu raramente teria a oportunidade de ver no cinema filmes como Maktub, uma comédia israelense que mistura violência com toques de fofura.

Calma, eu explico como isso é possível: Chuma e Steve são dois capangas da máfia que, após um atentado terrorista em um dos restaurantes onde faziam sua “coleta”, decidem mudar de vida ao perceber que são os únicos sobreviventes (mas levam o dinheiro da transação consigo). Para Chuma (Guy Amir), isso é um sinal divino de que eles devem retribuir por estarem vivos. Após Steve (Hanan Savyon) pegar um bilhete “emprestado” do Muro das Lamentações, os dois decidem ajudar a pessoa que deixou o pedido lá.

Enquanto Steve tem planos de fugir para os Estados Unidos com o dinheiro, Chuma insiste para que eles permaneçam em Jerusalém como uma espécie de anjos da guarda das pessoas que deixam pedidos no Muro das Lamentações. Como o local tem áreas separadas para homens e mulheres, a coisa fica ainda mais divertida quando eles buscam atender pedidos de ambos os sexos.

Ao mesmo tempo, os dois têm questões em suas vidas pessoais que os motivam a querer ir ou a querer ficar. Steve tem um filho que nem o conhece e Chuma meio que indiretamente acaba desempenhando esse papel paterno, reforçando a sua vontade de permanecer na cidade. Tem ainda os chefões dos dois que estão obviamente atrás do dinheiro da transação que estava ocorrendo no momento do atentado.

 


 

Mesmo com a violência das primeiras cenas e a permanente ameaça do que vai acontecer quando descobrirem que os dois estão com o dinheiro, o filme é daquelas comédias pra se sentir bem e com uma pequena lição de moral em torno da ideia de que tudo o que vai, volta. Isso fica bem claro quando os dois tentam ajudar uma mulher que não consegue ter filhos. Faz todo o sentido com o título do filme: Maktub pode ser traduzido como “já estava escrito”.

A dupla de atores já trabalha junta na TV, o que justifica a ótima química entre os dois. As atuações não são das mais exigentes, mas eles convencem em seus personagens de bom bandido e mau bandido (mas que no fundo é bom). Os demais coadjuvantes não têm muito tempo em tela para conseguir desenvolver um personagem, mas o carisma dos protagonistas compensa.

A fotografia e a trilha sonora são bem interessantes e reforçam o fato de que você está vendo um filme que se passa em uma Jerusalém real, não apenas aquela dos pontos turísticos (a não ser pelo Muro). A gastronomia do filme funciona como um elemento cômico, ancorada no fato de que os dois faziam suas “coletas” em restaurantes. Pode perceber: em quase todos os momentos vai ter alguma referência a comida, desde os pratos mais gourmetizados até os kebabs de rua. De forma geral, o humor é bem sutil e pontual, sem forçar a barra com o espectador.

Além da previsibilidade, um problema que prejudica um pouco o filme é o ritmo. Lá pela segunda metade a coisa fica um pouco arrastada, principalmente na tentativa de valorizar os dramas pessoais dos dois: que nós temos uma boa ideia de como vão terminar. Parece que faltou fôlego e a coisa toda podia ter se resolvido com uns 20 minutos a menos.

De forma geral, é uma boa pedida pra assistir quando quiser algo leve e descompromissado e, claro, quiser fugir das produções de Hollywood. O filme tem potencial, inclusive, pra daqui a pouco ganhar um remake em inglês. Mas duvido que qualquer dupla terá a química e o carisma de Chuma e Steve.

Nota:

Trailer de Maktub

Imagens: © Idan Milman

 
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