Invocação do mal 1 e 2: muito mais do que meia dúzia de sustos


 

Eu nunca consegui definir muito bem um gênero de filme preferido. Se me perguntarem de que tipo de filme eu gosto, eu apenas vou responder “filme bom”. Parece besta, mas eu acredito que é possível fazer filmes bons em qualquer gênero – e ruins também. No gênero de filmes de terror, confesso que tenho certo preconceito, já que a maioria dos cineastas deste tipo dá preferência aos sustos do que a um bom roteiro ou a uma cinematografia consistente. Para minha surpresa, a série Invocação do mal foge um pouco desta regra.

Acabei assistindo ao primeiro recentemente, até para entender toda a agitação em torno da sua sequência, que estava chegando aos cinemas na época. Logo de cara, o que me impressionou foi a qualidade dos protagonistas. Ok, o Patrick Wilson tem algumas atuações decentes (principalmente em Pecados Íntimos) e não é aquiiilo tudo, mas Vera Farmiga já foi indicada a Oscar e é a motherfucking Norma Bates em Bates Motel (e carrega boa parte da série nas costas). Para uma produção de terror, esse já é um grande ponto a favor.
 


 

As histórias dos dois filmes são baseadas em fatos reais (o que eu sempre considero a coisa mais assustadora em filmes de terror). São casos investigados pelo casal Ed e Lorraine Warren: um envolvendo uma família que se muda para uma casa amaldiçoada e o outro, lá em Londres, envolvendo uma família que tem uma das filhas possuída por um espírito maligno. Coincidência ou não, as duas famílias têm uma quantidade significativa de filhos.

O roteiro dos dois filmes está longe de ser super original (ainda mais do segundo, que praticamente repete a fórmula do primeiro), mas o ritmo é a essência de tudo. Em nenhum dos filmes você consegue respirar direito. As cenas de susto não são tão coreografadas e óbvias como na maior parte dos filmes. As duas histórias são manjadas? São. Mas a forma como elas são conduzidas é o ponto forte aqui. Todos nós já vimos exorcismos, famílias amaldiçoadas, crianças possuídas e bonecos demoníacos, mas fazia tempo que não ficávamos realmente apavorados com tudo isso.

Outro fator que achei bem interessante nos filmes foi a criatividade na filmagem e na edição. O diretor James Wan aproveita diversos planos e efeitos de câmera para envolver ainda mais o espectador na trama.

A interação entre os protagonistas é essencial para o sucesso dos dois filmes. A confiança e o vínculo entre eles é forte sem ser banal. Ficou convincente. Dá pra ver que um se apoia no outro e na fé do outro para enfrentar todos os casos demoníacos que eles encontram pela frente.

Pra resumir, eu ainda não colocaria no nível de perturbação que filmes como O Exorcista e O Iluminado me causam. No entanto, pra quem é fã de filmes de terror, tratam-se de ótimos exemplos recentes. Para quem já está meio incrédulo com o gênero, os dois são uma boa quebra de paradigma.

Trailers:

Invocação do mal:

Invocação do mal 2

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