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Até o último homem: tiro, porrada e um pouco de fofura

Andrew Garfield até o último homem



Andrew Garfield até o último homem

A dicotomia entre violência e religião conduzem a história de Até o último homem, filme que conta a história de Desmond Doss (Andrew Garfield), um homem que quer ajudar a servir na 2ª Guerra Mundial, mas não quer trair seus princípios pacifistas e religiosos.  Traduzindo: ele se recusa a pegar em uma arma.

A história passa pela infância de Doss, de como ele quase matou o irmão quando criança e de toda a raiva que ele sentia pelo pai, Tom (Hugo Weaving), um ex-militar, bêbado e que batia na mulher. Depois de adulto, mostra o personagem como filhinho queridinho, religioso, bom moço, que se apaixona pela enfermeira Dorothy Schutte (Teresa Palmer) mas sente o peso do dever de servir na guerra junto com seu irmão e amigos. Essa parte é a mais chatinha e brega do filme, reunindo todos os clichês possíveis de filmes ambientados na década de 1940.

Até o último homem

Quando ele vai pro exército a coisa fica mais interessante, com novos personagens e um conflito: como ele pretende servir em uma guerra se ele se recusa a pegar uma arma? Se um dos objetivos do Mel Gibson ao dirigir o filme era despertar algum tipo de sentimento violento do espectador, este é o momento: dá vontade de bater no protagonista diante da objeção dele que flerta com a teimosia.

Nesta parte pré-guerra somos apresentados a alguns dos personagens mais bacanas do filme, como o Sargento Howell (Vince Vaughn) e os demais recrutas, cada um com a sua peculiaridade. Mesmo com o conflito em si, é a parte que mais rende alívios cômicos. Tem seus clichês de bullying por ser diferente e até uma situação de corte marcial, que poderia ter sido um verdadeiro problema, não fosse pela saída preguiçosa que acharam para o filme. Poderiam ter deixado de fora ou dar a devida atenção ao episódio.

Até o último homem

O que acontece a partir daqui, a guerra em si, cai como uma verdadeira bomba nas nossas cabeças. É muita ação, barulho, tomadas na altura do olho e até mesmo planos em primeira pessoa. Não são só os personagens que estão na batalha: você, espectador, está no meio dela. Em termos de edição para filmes de guerra é provavelmente uma das melhores de que eu tenho lembrança. Nem O resgate do soldado Ryan conseguiu me impressionar tanto. Mel Gibson é conhecido por não poupar violência em suas produções e Até o último homem não foge da regra. Há muitos cadáveres decepados, com as tripas de fora mesmo, amputações causadas por bombas e todo o tipo de selvageria que acontece nos campos de batalha. O espectador não é poupado.


Em termos de produção e edição (principalmente de som) é o melhor momento do filme. Esta sacada de trazer o espectador pra dentro da guerra funciona muito bem: você não sabe mais quem é quem, quem está vivo, quem já explodiu… Tem muita ação e até mesmo uns momentos de suspense com jump scare (sabe quando você tá vendo um filme de terror e a menininha japonesa aparece na tela com um barulhão? Mais ou menos isso, só que aqui a menininha japonesa é um soldado).

Até o último homem Andrew Garfield

Pra quem quer entender: Hacksaw Ridge é o nome original do filme e o nome da serra onde se passa essa batalha. A “tradução” em português é apenas um spoiler do clímax do filme. Passado esse clímax, acho que o filme errou em se estender muito. A sequência final é muito mais um epílogo do que uma conclusão. Os últimos cinco minutos de filme servem mais pra lembrar todo mundo de que os Estados Unidos ganham e pra vomitar mais um monte de frases de efeito clichês pra dar uma lição de moral que todo mundo já tinha entendido. Não precisava ficar reafirmando. Pulava direto pros depoimentos que ficava mais bonito.

Em resumo, é um ótimo filme de guerra, muito bem executado e que vai mexer contigo. Em termos de roteiro, repete muitos clichês. Mas consegue reunir as boas atuações de um Andrew Garfield meio Forrest Gump, um Hugo Weaving claramente perturbado e um Vince Vaughn com carisma sob medida para um drama de guerra. É um bom entretenimento, sem muita frescura de cinema arte e com competência pra levar categorias técnicas no Oscar.

Até o último homem

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