Os 7 de Chicago | Clichê mas com uma mensagem forte

    Os 7 de Chicago

    Confira a crítica pocket de Os 7 de Chicago:

    Sobre o que é a história: em 1968 na cidade de Chicago, a convenção do Partido Democrata coincidiu com diversas outras manifestações, culminando em violentos confrontos com as autoridades locais. Como resultado, sete manifestantes foram acusados de conspiração pela administração hostil do presidente Nixon, incluindo Bobby Seale, dos Panteras Negras, que não tinha qualquer envolvimento com tais protestos. O filme acompanha o julgamento tendencioso conduzido pelo juiz Hoffman. Com um advogado que trabalha pro bono, a defesa do democrata Tom Hayden e dos demais acusados lutam para provar sua inocência defendendo os princípios da liberdade de expressão.

    Os 7 de Chicago

    Crítica pocket de Os 7 de Chicago

    Não se deixe intimidar pelas mais de 2h de duração do filme: o roteiro e a edição dão uma dinâmica toda especial ao longa, que, apesar de ser um clássico drama de tribunal, consegue fisgar o público graças à sagacidade do roteiro de Aaron Sorkin, que também dirige o longa. Os embates são cheios de frases emblemáticas e que conversam muito bem com o mundo atual – até parece que a história foi escrita em plena onda do Black Lives Matter.

    O elenco estrelado também dá bastante fôlego à trama, cada um imprimindo diferentes personalidades e confrontando seus ideais até entre aqueles que estão do mesmo lado. Há quem reclame dos alívios cômicos do Sacha Baron Cohen e Jeremy Strong, mas eu achei bacana pra quebrar um pouco aquela fórmula maçante de drama de tribunal. As atuações de destaque são do próprio Cohen, além de Mark Rylance, que faz o advogado de defesa, e de Frank Langella, como o sisudo juiz Julius Hoffman. Ironicamente, o protagonista Eddie Redmayne tem uma das atuações mais apagadas (tente não lembrar dele em A Teoria de Tudo e falhe miseravelmente).

    Eddie Redmayne em Os 7 de Chicago

    O que estraga um pouco o filme é justamente a necessidade desesperada de querer ser considerado para o Oscar®. Há mais frases de efeito do que em perfis motivacionais no Instagram, o que deixa a sensação do clichê em prol da lacração. A trilha vem na mesma pegada, manipulando o espectador para os momentos emblemáticos (e problemáticos) do filme. A história e o roteiro em si já são bem poderosos, não precisava forçar tanto a barra.

    Resumindo, não é um filme super inesquecível, mas é um trabalho bem feito. Dá pra entender as indicações ao Oscar®.

    Sacha Baron Cohen em Os 7 de Chicago

    Indicações e probabilidades

    Os 7 de Chicago está indicado a seis Oscars da seguinte maneira:

    Melhor Filme

    Melhor Ator Coadjuvante – Sacha Baron Cohen

    Melhor Roteiro Original

    Melhor Edição

    Melhor Fotografia

    Melhor Canção Original – “Hear my voice”, por Celeste

    Chances reais: uma vitória na categoria de Melhor Filme seria mais uma mensagem política de Hollywood, mas não é uma decisão que eu consideraria totalmente injusta, apesar de existirem filmes melhores na disputa. Sacha Baron Cohen não deve levar o Oscar® de ator coadjuvante pois há atuações muito mais poderosas nesta categoria, mas acredito e concordo com a premiação para Roteiro Original e Edição, o ritmo do filme é realmente muito bom graças a estas duas categorias. Fotografia também é bem improvável, há produções melhores neste quesito. Canção original também é uma possibilidade forte pelo poder da canção de Celeste e a pertinência com o momento atual.

    Nota:

    Imagens: Netflix

    Leia também: Como são escolhidos os vencedores do Oscar?

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