Animais fantásticos e onde habitam | Bilheterias fantásticas

    Animais fantásticos e onde habitam

     

    Animais fantásticos e onde habitam

    Antes de falar qualquer coisa de Animais fantásticos e onde habitam eu preciso contextualizar o leitor: li todos os livros do Harry Potter incontáveis vezes (é sério, não tenho certeza de quantas vezes foram, mas pelo menos 3x nos últimos livros e umas 7x nos primeiros). Isso desde os 12 anos, ou seja, cresci com os personagens e acompanhei cada adaptação para o cinema, com direito a pré-estreia à meia-noite usando cachecol da Grifinória. Tenho cadastro no Pottermore, minha casa é a Corvinal, meu patrono é uma serpente e eu realmente visitei o túmulo do Tom Riddle. Ou seja: é opinião de fã de longa data e que tem em casa o livro de Animais fantásticos e onde habitam. Bora pra crítica?
     


     

    Pra quem não entende como que isso é um filme de Harry Potter sem Harry Potter, eu explico: é uma expansão do universo bruxo criado pela J.K. Rowling, mas tudo acontece muuuuito antes do Voldie cravar um raio na testa do Harry. O livro que dá nome ao filme é um material didático utilizado em Hogwarts, ou seja, a produção não é uma adaptação do tal livro, que nada mais é do que um glossário dos animais mágicos.

    O filme se passa na Nova York de 1926, quando o autor do livro Newt Scamander (Eddie Redmayne) viaja para os Estados Unidos levando uma mala estilo Mary Poppins cheia de animaizinhos do barulho que aprontam altas confusões! Paralelamente, o mundo bruxo dos EUA tenta se manter anônimo quando uma ameaça desconhecida começa a causar destruição inexplicável para humanos e pouco compreendida pelos próprios bruxos.

    Animais fantásticos e onde habitam

    O diretor é David Yates, o mesmo dos últimos quatro filmes do Harry, então a gente meio que já sabe o que esperar. O roteiro é da J.K. também, então a gente também pode imaginar o que vem por aí. Pra quem sempre leu os livros antes dos filmes, a novidade era ver um filme da J.K. sem o apoio dos livros. E, sinceramente, eu passei a entender porque a galera que só viu os filmes de Harry Potter não é tão fascinada pela história.

    Recentemente reassisti todos os oito filmes do Harry pra inserir o meu noivo no universo bruxo. A minha memória pros livros é ótima, já para os filmes nem tanto. Eu não lembrava que tanta coisa ficava de fora. Não apenas situações paralelas, mas explicações fundamentais para a história. Foram várias as vezes em que eu precisei contextualizar alguma situação para ele entender melhor.

    Abri o parêntesis porque ao assistir Animais Fantásticos eu senti falta desse apoio do livro. A impressão que me deu era o de estar assistindo ao segundo filme de uma franquia e não ao primeiro. Eu sei que isso é bem a cara da J.K., que adora ficar explicando as pontas soltas no Twitter depois. Mas desta vez realmente parece que faltou algo. A gente não sabe quase nada sobre o Newt, a não ser que ele ama animais além da compreensão dos outros bruxos. Com o Harry Potter a gente teve tempo pra descobrir o personagem conforme ele ia descobrindo quem era, e isso é o que sustenta pelo menos metade da franquia.

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    Pelo nome do filme, achava que o foco ficaria mais nos animais e não em mais uma ameaça ao mundo bruxo. Tanto é que a melhor sequência pra mim se passa dentro da mala do Newt, quando ele apresenta as criaturas a um fascinado Jacob Kowalski (Dan Fogler), que é trouxa e, de longe, o melhor personagem do filme.

    O ritmo do filme é rápido e tem muita coisa acontecendo com uma pá de personagem secundário (núcleo Jon Voight, núcleo Macusa, núcleo Ezra Miller, núcleo submundo do Ron Perlman…) e nada disso é muito aprofundado. Provavelmente sementinhas que a J.K. plantou pros próximos filmes, mas ainda deixa a história rasa. A ameaça a ser combatida lembra muito a fórmula batida de filmes de super-heróis. É preguiçoso e manjado. Lógico que a direção de arte e os efeitos visuais estão impecáveis, mas sou da opinião de que eles servem para dar apoio à história e não como atração principal.

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    Eu tenho uma tendência a preferir coadjuvantes, mas neste filme ela ficou gritante. Eddie Redmayne está apático e pouco envolvente para um protagonista e Colin Farrell está subaproveitado. A aurora Tina Goldstein (Katherine Waterston) me parece meio perdida na trama. Dá a impressão de que ela só está ali pra ser a namoradinha do Newt, mesmo que eles nem preparem um clima decente pra isso.

    Assim, é bom entretenimento, tem um elenco bacana, easter egg pra fã, animais realmente fantásticos e um monte de coisa pendente pra resolver nos próximos filmes. Vale assistir, mas dá a impressão de que era um livro de 800 páginas espremido para 2h de filme, o que não é verdade. É caça-níquel sim, mas pelo menos tem um ritmo melhor que o do Hobbit. Meu veredicto: não fez mais do que a obrigação para uma franquia do porte de Harry Potter.

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    Nota: 

    Trailer de Animais Fantásticos e Onde Habitam

    Veja também: Resumão dos filmes de Harry Potter
     



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