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Beirute | Thriller de espionagem objetivo e sem frescuras

Beirute


 

Na primeira década dos anos 2000 Hollywood se empenhou em lançar bons filmes de espionagem, principalmente envolvendo o Oriente Médio, mas que são rapidamente esquecidos. Beirute, uma das mais recentes produções da Netflix pode ter se atrasado uns 10 anos, mas merece fazer parte deste clubinho.

O filme começa em 1972 na cidade de Beirute, no Líbano. Um respeitado negociador chamado Mason Skiles (Jon Hamm) mostra que não toma partidos na guerra civil que assolou o país e que a sua habilidade com as palavras é algo a ser notado. Logo no começo, seu amigo Cal (Mark Pellegrino) diz que Karim, o jovem libanês de 13 anos que Mason e sua esposa estão adotando, é irmão de um famoso terrorista, procurado no mundo inteiro pelos atentados nas Olimpíadas de Munique. Não dá nem tempo de Mason digerir a história que sua casa é invadida por terroristas, com direito a muito tiroteio, o sequestro de Karim pelo próprio irmão e a inevitável morte da esposa do nosso protagonista.

Uma década se passa e Mason está de volta aos EUA trabalhando como negociador de sindicatos e empresas, com aquele amargor de quem passou por um grande trauma e uma ideia fixa de nunca mais voltar ao Líbano. Claro que isso não vai durar muito tempo e ele logo é intimado a voltar a Beirute. O motivo? Seu amigo Cal foi sequestrado e Mason é o único negociador que pode resolver a parada.

De volta ao Líbano, ele percebe o quanto o país foi destruído na última década e como as disputas entre israelenses, palestinos e demais grupos terroristas formam uma complexa dinâmica em que nenhum dos lados parece estar certo. Um grupo de profissionais da CIA explica a situação (pelo menos a versão oficial dos fatos) e Mason vê que conseguir seu amigo de volta não será uma tarefa tão simples (até porque se fosse fácil não renderia um filme).
 

 

Mesmo com toda a equipe da CIA, Mason não confia em ninguém e resolve fazer as coisas do próprio jeito. A única pessoa que parece ser sua aliada é Sandy Crowder (Rosamund Pike), que manja mais dos paranauês do que aparenta.

O roteiro é empolgante e bem prático. Não há situações que se arrastam além do necessário e a coisa toda consegue ser resolvida em menos de duas horas. Embora a objetividade seja bem oportuna para não entediar o espectador, a coisa toda pareceu um pouco rasa, considerando a complexidade destes conflitos no Oriente Médio. Mesmo com o foco naquela situação específica de negociação, parece que faltou algo ali.

Embora as seguidas reviravoltas no roteiro sejam bem importantes pra não te deixar emburrado no sofá, em alguns momentos a coisa toda passa tão rápido que você mal tem tempo de decorar os nomes de todos os personagens e poder saborear melhor a intriga em questão. Não foram poucas as vezes que eu dei uma espiada no IMDb pra lembrar quem era quem. Quem sabe numa segunda assistida eu consiga aproveitar melhor o negócio.

Beirute

Em termos de atuação eu não consegui achar grandes destaques ali. Jon Hamm ficou tão marcado pelo personagem Don Draper em Mad Men que todo o personagem parecia uma extensão do brilhante e infame publicitário da série. É quase como se Don tivesse virado diplomata no Líbano. As expressões, a forma rápida de falar, as sacadas inteligentes… tudo grita Don Draper ali e nós sabemos que o Jon Hamm sabe fazer mais do que isso. Rosamund Pike decepciona um pouco, principalmente quando você se lembra do trabalho dela em Garota Exemplar. Mas eu entendo que o roteiro também não dá tanto espaço assim pra personagem dela.

Mesmo sem grandes genialidades de produção, Beirute não decepciona justamente por não ter a ambição de um Argo ou de um Syriana. Como as apostas do filme são relativamente baixas, as chances de você se decepcionar também são.

Nota:

 

Trailer de Beirute

Imagens: Sife Eddine El Amine – © High Wire IP, LLC

 


 

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