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Dope: Um deslize perigoso

 

Filmes de adolescentes parecem estar em alta de novo. Embora o subgênero ainda encontre algum preconceito por causa das comédias besteirol dos anos 1990 e 2000, há muita coisa interessante surgindo por aí. Um dos meus exemplos favoritos é Dope: Um deslize perigoso, filme de 2015 que foi sensação no Festival de Sundance e finalmente chegou ao catálogo da Netflix.

Pelo cartaz e até pelo trailer é fácil deixar essa produção passar em branco, mas a experiência de assistir a Dope: Um deslize perigoso é como se você juntasse Negócio arriscado, Sing Street só que no gueto. Trata-se de um filme divertido, carismático, com suas pontadas de crítica social e com uma deliciosa trilha sonora.

Dope: um deslize perigoso

Vamos à história: Malcolm (Shameik Moore) é um estudante nota 10, que se interessa por cultura pop, como Game of Thrones e adora hip hop dos anos 1990. Ele e seus amigos Diggy (Kiersey Clemmons) e Jib (Tony Revolory) sofrem o inevitável bullying com nerds, mas parecem não se encanar muito com isso. Paralelamente eles têm uma banda que mistura rock com hip hop.

Embora seja uma comédia, desde o começo Malcolm deixa claro o quão perigoso é viver na região onde ele mora. E é justamente ao pegar uma curva errada que ele tem contato com Dom (ASAP Rocky), o traficante local que fala de forma mais sofisticada do que você espera. Após uma confusão em uma festa, Malcolm acidentalmente se vê em posse de uma quantidade significativa de drogas e de uma arma, enquanto Dom vai pra cadeia e pede para que Malcolm entregue o pacote à pessoa certa.

 


 

Além de ter tirado Malcolm do seu caminho de menino certinho, ele ainda está tentando entrar em Harvard, apesar da incredulidade do seu conselheiro local. De alguma forma estas duas histórias se encontram e só resta a Malcolm e seus amigos venderam a droga e entregar o dinheiro ao chefão do tráfico.

Apesar do plot pesado, Dope é uma divertidíssima comédia que aposta no carisma de seus protagonistas e em uma trama que parece cada vez mais complicada de resolver. Há vários coadjuvantes que aparecem em momentos pontuais e contribuem com o humor absurdo da situação. Claro que há alguns momentos meio escatológicos demais, mas eles são bem pontuais e não chegam a comprometer a sagacidade do humor.

No quesito técnico, estamos falando de uma produção igualmente interessante, principalmente em relação à edição e à fotografia de Rachel Morrison. A utilização de cores é feita de uma forma quase elétrica nas cenas mais escuras e durante o dia o tom é meio vintage, em referência às preferências musicais de Malcolm. A edição é bem dinâmica, com alguns momentos de divisão de tela, alguns flashbacks pertinentes e outros que subestimam um pouco a memória do espectador, mas tudo bem. Tudo isso, claro, embalado pela ótima trilha cheia de black music.

Se tem uma coisa em que o roteiro de Rick Famuyiwa peca é pelo excesso. Beleza que ele abriu um monte de parênteses ao longo da trama e, de alguma forma, conseguiu fechar quase todos. O único problema disso é que parece que o filme ficou com muitos finais e muitos subplots que não contribuíram tanto assim com a trama. A impressão que dá é que não conseguiram deixar nada de fora na ilha de edição e a “moral da história” fica um tanto repetitiva, como se o público não fosse capaz de entender na primeira vez. Mesmo assim, não acaba com a experiência.

Mesmo com suas falhas, Dope: Um deslize perigoso é uma história de amadurecimento divertida, cativante e com bastante competência técnica. Não deixe passar em branco na sua próxima busca na Netflix.

Nota:

 

Trailer de Dope: Um deslize perigoso

Imagens: IMDb

 


 

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