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Ilha dos cachorros | A riqueza dos detalhes de Wes Anderson

Ilha dos cachorros

 

A riqueza dos detalhes na construção de mundo sempre foi uma característica forte nos filmes de Wes Anderson. Em Ilha dos cachorros ele parece atingir o seu ápice, com uma animação de encher os olhos e com um dos elencos mais badalados e estrelados do ano.

Em sua segunda animação, Wes Anderson conta com nomes como Bryan Cranston, Bill Murray, Edward Norton, Scarlett Johansson, Jeff Goldblum, Greta Gerwig, Frances McDormand, Harvey Keitel, Liev Schreiber, Courtney B. Vance, Yoko Ono, Ken Watanabe, entre outros para entregar uma história com fundo lúdico, mas que definitivamente não é destinada ao público infantil.

Ilha dos cachorros

A história se passa 20 anos no futuro na fictícia cidade japonesa de Megasaki, onde o prefeito Kobayashi (Kunichi Nomura) determina que todos os cachorros devem ser banidos para uma ilha por estarem espalhando doenças, como a aparentemente incurável gripe canina. Seis meses se passam, com todos os cachorros devidamente exilados, e o próprio sobrinho do prefeito, Atari (Koyu Rankin), decide ir à ilha para encontrar seu cachorro Spots (Liev Schreiber), conhecido pelas matilhas como “cachorro número 1”, por ter sido o primeiro a ser mandado para lá.

Para ajudá-lo, Atari conta com a ajuda de uma matilha composta pelos dogs: Chief (Bryan Cranston), Rex (Edward Norton), King (Bob Balaban), Boss (Bill Murray) e Duke (Jeff Goldblum). Com exceção de Chief, todo eles eram cães de estimação e não veem problema em ajudar Atari, já que ele é um “mestre”. Chief, por ser um cão de rua, fica um pouco relutante mas no fim das contas ajuda a galera na missão.

 


 

Paralelamente, um grupo de estudantes liderados pela intercambista Tracy (Greta Gerwig) busca mudar a opinião pública para que os cachorros não sejam mais exilados e voltem ao convívio com os humanos. Mas a tarefa não parece ser tão simples quando o cientista empenhado em descobrir a cura para a gripe canina morre em circunstâncias suspeitas.

A história que conduz os acontecimentos em Ilha dos cachorros definitivamente não é o ponto forte do filme, que se encontra nos detalhes meticulosamente inseridos por Anderson. Eu consigo ver esse tipo de história facilmente em um filme da Pixar ou da Dreamworks e atraindo multidões de crianças para os cinemas. Mas o público infantil não é o alvo de Anderson, que aposta em um humor mais seco, personagens mais complexos e em algumas tiradas sutis de malcriação, como o fato de determinada região da ilha de chamar middle fingers (sim, dedos do meio).

Ilha dos cachorros

O trunfo de Ilha dos cachorros está, como já citamos, na construção meticulosa de universo e na parte estética do filme: tanto visual como sonora. A ilha em si é um lixão, um ambiente hostil onde gangues de cães se enfrentam violentamente por restos de comida. Mas mesmo com um cenário formado por lixo, parece que a equipe de produção escolheu a dedo cada elemento que compõe os cenários. Os enquadramentos utilizados por Anderson dão uma dimensão bacana aos acontecimentos, chamando a atenção tanto para o primeiro como para o segundo plano, e, claro, trabalhando simetrias e proporções que agradam o olhar humano.

Uma escolha interessante do roteiro é o fato de que os cachorros e os humanos não falam a mesma língua (a não ser quando auxiliados pela tecnologia). Mas aqui são os cães que falam a “nossa língua”, enquanto os diálogos dos humanos são falados em japonês e na maioria das vezes não têm tradução. Essa escolha não é nem um pouco aleatória: Anderson quer que o espectador se coloque no lugar dos cachorros. São eles que têm maior desenvolvimento de personagem, enquanto os humanos ficam meio de lado neste quesito.

Ilha dos cachorros

A principal exceção é o arco de Tracy, que por ser intercambista também fala inglês. Confesso que não achei este subplot interessante e a história poderia se desenvolver sem ele. Se a escolha de Wes Anderson era valorizar o Japão além dos estereótipos da cultura pop, fica um tanto desrespeitoso uma personagem branca e ocidental “incitar a revolução”, quase como se os japoneses fossem meramente passivos e precisassem de um estrangeiro para serem salvos. Faltou um pouquinho de cuidado aqui.

Um dos elementos de destaque que ajudam nesta ambientação do Japão além do anime é a trilha sonora do oscarizado Alexandre Desplat, que também fez A forma da água. Ele aposta na imponente batida de tambores que evocam a milenar cultura japonesa e ajudam a construir a tensão na história.

Apesar da trama não ser o ponto mais forte do filme, Ilha dos cachorros se mantém uma obra interessante e com a marca da meticulosidade quase obsessiva de Wes Anderson. Não emociona, mas o carisma dos personagens e a riqueza dos detalhes não vão te deixar largar o osso.

Nota:

 

Trailer de Ilha dos cachorros


 

Imagens: © 2018 – Fox Searchlight

 


 

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