Podres de ricos | A reinvenção da Cinderela asiática

    Podres de ricos

     

    Considerada uma das melhores comédias do ano e agora indicada em duas categorias do Globo de Ouro, Podres de ricos pode não ter um dos roteiros mais originais já vistos, mas é uma das peças de entretenimento mais divertidas e empolgantes do ano.

    A história realmente já é bem manjada e poderia ter saído de alguma produção teen do Disney Channel: Rachel Chu (Constance Wu) é uma professora de Teoria dos Jogos na NYU e namora um cara que ele não sabe, mas é podre de rico (como a tradução brasileira do título sugere). Nick Young (Henry Goldng) é herdeiro de uma tradicional e multimilionária família em Singapura, que tem investimentos nos mais variados ramos. Ao ser convidado para o casamento de seu melhor amigo, ele terá que mostrar esse lado dele para sua namorada.

    Podres de ricos

    Mas vamos parar de falar do Nick porque ele é apenas uma ferramenta na história que gira em torno de Rachel e das demais mulheres que ela encontrará pelo caminho. Com uma pegada meio Entrando numa fria, porém menos escatológica (ainda bem), ela logo percebe que dinheiro não é o único abismo que a separa da aceitação das mulheres na família de Nick, principalmente da mãe Eleanor (Michelle Yeoh). O fato de ela ter sido criada nos Estados Unidos e supostamente não conservar os valores das famílias tradicionais asiáticas aparentemente é o principal empecilho.

    Fora isso, Rachel ainda tem que encarar as “inimigas”, ou seja, um monte de moças convidadas do casamento que a tratam como uma interesseira e fazem de tudo para separá-la de Nick (qualquer semelhança com as irmãs invejosas da Cinderela não é mera coincidência). Mas ela tem como aliada a divertida Peik Lin (Awkwafina), que pertence a uma família de “novos ricos” asiáticos, tão malvistos pelos Young como a própria Rachel.

     

     

    Sim, o filme é cheio de clichês, é bem previsível, mas nem por isso é menos interessante. Um dos primeiros pontos que me chamou a atenção é o fato de a história ser movida exclusivamente pelas ações das mulheres. Pode ver, os caras são ou passivos ou ausentes (como o pai do Nick) e são as mulheres que dão as cartas de ambos os lados.

    O fato de estarmos falando de uma comédia romântica cheia de exageros visuais no entanto não significa que estamos lidando com personagens rasos e unilaterais. Michelle Yeoh, por exemplo, entrega uma Eleanor cheia de mistérios. Não dá pra assumir que ela é apenas uma sogra dura e ciumenta (como a personagem de Jane Fonda em A Sogra, por exemplo) e tampouco conseguimos prever suas ações quando ela conta de sua própria experiência com a avó de Nick. Da mesma forma Constance Wu é uma Rachel segura de sua inteligência e que visivelmente pesa o quão investida ela está em um relacionamento com Nick. Esqueça aquela história de “largar tudo por amor”, estamos lidando com personagens mais inteligentes aqui.

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    Igualmente interessante é a prima Astrid (Gemma Chan), uma mulher extremamente rica, bonita, com bom gosto e bondosa. Apesar de ela ter apenas um subplot é uma abordagem bem pertinente de como mulheres se sentem quando são mais bem-sucedidas que seus maridos. Acontece na Ásia, acontece no Brasil e acontece em qualquer lugar. Merecia um filme só dela.

    O equilíbrio entre personagens bem elaborados e total besteirol é dosado principalmente pela exagerada ostentação do filme, combinando com a proposta do filme. Estamos falando de festas de despedidas de solteiro em ilhas paradisíacas e navios luxuosos, além de uma cerimônia de casamento que eu não quero nem pensar em quantos dígitos deve ter custado.

    Mesmo com uma ambientação quase de conto de fadas e um elenco 100% de origem asiática, Podres de ricos tem temas universalmente compreensíveis e qualidades o suficiente para colocá-lo entre as comédias mais bem avaliadas pela crítica em 2018.

    Nota de Podres de ricos:

    Imagens: Sanja Bucko – © 2017 WARNER BROS. ENTERTAINMENT INC.

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