Esquadrão Suicida tinha tudo pra dar certo, mas…


     

    Esquadrão Suicida

    Eu sempre tento ser justa nas avaliações dos filmes que eu assisto. Já aprendi que nem toda produção tem o intuito de ser um bom filme, o negócio pode ser feito pra dar dinheiro, pra agradar fãs ou pra atiçar a galerinha passando pela puberdade. Ainda assim, muitos blockbusters ainda conseguem ser bom entretenimento. Não é o caso de Esquadrão Suicida.

    Quando falo de filmes de HQs de super-heróis e afins eu já coloco a barra um pouco mais baixa porque sei que é difícil sair algo deste gênero que realmente me encha os olhos. No melhor dos casos, sai um bom filme de ação ou uma boa comédia, como o recente caso de Deadpool. Esquadrão Suicida foi feito com a melhor das intenções: ele quis ser um bom filme de ação e de comédia ao mesmo tempo. O resultado foi querer ser muita coisa e não conseguir fazer nada direito.

    Houve muita polêmica desde o início da produção do filme: elenco superestrelado, Jared Leto de Coringa fazendo coringuices pra cima do elenco, mudanças de última hora por causa da repercussão de Deadpool e trailers sensacionais. Tinha tudo para dar certo, mas a produção esbarrou em um roteiro fraco e manjado, em personagens mal trabalhados, piadas fracas e edição preguiçosa. A única coisa que escapou aqui foi a trilha sonora, mas como não estamos falando de um musical ela não é suficiente para garantir aqueles pontos preciosos ao filme.

    Esquadrão Suicida

    Caso alguém não tenha assistido, a história basicamente se resume a uma agência secreta do governo, representada pela durona Amanda Waller (Viola Davis), que quer reunir humanos com habilidades especiais para ajudar o governo a derrotar algum mal maior (uma espécie de Super Homem do mal, sacam?). Por que eles partiram direto pros vilões do que pros outros humanos “do bem”, como Mulher Maravilha, Aquaman e Flash, por exemplo, nós nunca saberemos, mas é o que eles querem fazer. Aí, no meio do caminho, uma entidade divina que possuiu o corpo de uma arqueóloga (Cara Delevingne) decide se vingar dos humanos e, por algum motivo que nós nunca vamos entender, ela decide criar uma máquina e um exército de zumbis pra isso. A ironia da coisa é que até então ela era controlada pelo próprio governo que, pasmem, não tinha um plano de contingência caso ela escapasse. Não fez sentido pra você? Pois é, no filme também não faz.
     


     

    Daí eles decidem reunir uma galera que tá presa, mas só querem contar a história de quem interessa: Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie) e mais uns outros que eles mal explicam quem são. Quem conhece dos quadrinhos meio que entendeu, quem nunca leu nada de Esquadrão Suicida vai viajar. Essa diferença de espaço para os personagens pegou bem mal, deu a impressão de que eles podiam ter feito um time mais enxuto e ter dado espaços mais justos para cada um (sim, eu fiquei chateada porque eu gosto do Crocodilo e ele mal apareceu).

    Esquadrão Suicida

    Tipos esse cara que só apareceu pra morrer.

    Aliás, sobre a parte da ambientação, há uma exagerada atenção à história da Arlequina e do Coringa (que não faz parte do Esquadrão, galera. Ele tá nessa pela namorada). Já li muitas críticas sobre a romantização do relacionamento dos dois e assino embaixo da maioria delas. Nas HQs a Arlequina é muito mais uma marionete do Coringa do que aquela musa de amor bandido dos dois. Sobre a caracterização do Joker, do palhaço, eu sou obrigada a defender um pouco o Jared Leto: ele é um baita ator e é conhecido por performances exageradas, eu não esperaria nada muito diferente da parte dele. O Coringa é um personagem aberto, não existe uma fórmula correta para interpretá-lo até porque cada roteirista de quadrinhos dá uma cara diferente pra ele. Então, desculpa galera, mas o Coringa do Heath Ledger não é o “certo”. Pode ser o que vocês mais gostam, mas há espaço no personagem pra outros atores e autores sim. A única coisa que achei ruim da participação do Coringa é que ela é meio desnecessária e dá a impressão de empatar a história um pouco. E né? Pra que me contrataram um p*ta ator, vencedor de Oscar e tals, pra aparecer em meia dúzia das cenas? Sobre a caracterização da Arlequina, nem vou reclamar da oversexualização porque isso já foi bem comentado em outros sites e porque isso já era meio que esperado, a única coisa que me incomodou de verdade é que transformaram a personagem na Sabrina Sato do Esquadrão.

    Arlequina

    Mas voltando pro filme, a gente sabe que ele foi um remendão do início ao fim, mas eu não sei se teria como ficar muito melhor. Pra se ter ideia, o roteirista e diretor é o cara que fez o primeiro Velozes e Furiosos, então a gente já sabe mais ou menos o que esperar. Essas mudanças de última hora, de querer deixar o filme mais engraçadinho por exemplo, sem dúvida saíram de pesquisas e testes com o público – e falo aqui tanto de pesquisa de focus group e como das reações aos trailers e teasers. Afinal, quem não se empolgou com aquele teaser com Bohemian Rhapsody? O ruim é que, como acontece na maioria dos filmes deste tipo, as melhores tiradas ficaram nos trailers. O filme em si não acrescenta, não te surpreende, não explica por que a gente passou duas horas vendo aquilo.

    Esquadrão Suicida05

    Mas verdade seja dita: é sucesso de bilheteria, atendeu ao propósito de fazer dinheiro, que, vale lembrar, sempre foi o foco do negócio. Não foi pra agradar críticos, não foi pra ganhar Oscar e muito menos pra prestar serviço a fã. Por isso, a gente pode espernear o quanto quiser que os estúdios vão continuar apostando nesta fórmula. E, sinceramente, eu não me importo, desde que seja bom entretenimento. Pena que nesse caso nem isso foi.

    Obs.: Único fan service decente desse filme foi o take que presta uma bela homenagem à arte do Alex Ross com o Coringa e a Arlequina. Pena que parou por aí.

    Esquadrão suicida

    Nota:

    Trailer de Esquadrão Suicida

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