Fora de série | Besteirol adolescente com cérebro

 

Filmes de adolescentes loucos para celebrar os últimos momentos antes da faculdade são bem comuns e costumam seguir uma fórmula bem previsível. Esta poderia ser a história de Fora de série se a, agora diretora, Olivia Wilde nivelasse o intelecto de suas protagonistas por baixo, o que não acontece aqui.

O plot é bem manjado: Molly (Beanie Feldstein) e Amy (Kaitlyn Denver) são duas nerds que optaram por sacrificar seus anos escolares em prol de um futuro brilhante: uma boa faculdade e uma brilhante carreira pela frente. Elas não se importam muito com o bullying e com o fato de não estarem no grupo da galerinha legal justamente porque têm seu foco em algo maior.

 

Filme Fora de série

 

Só que isso muda no último dia de aula quando uma Molly, após um arrogante monólogo sobre seu futuro pra um grupo de adolescentes populares, descobre que essas pessoas têm planos tão invejáveis quanto os seus: estudar em Yale, conseguir uma bolsa em Stanforg e programar para o Google. Isso vira a pá da Molly, frustrada por não ter se tocado que também poderia ter trocado o “all work and no play” pelo “work hard, play hard”.

Decidida a aproveitar o restinho que o colegial pode oferecer, ela e Amy querem ir à festa de Nick (Mason Gooding), um dos garotos mais populares do colégio e por quem Molly nutre uma paixão reprimida. A partir daí elas enfrentam uma série de desvios, bateria de celular acabando e algumas substâncias ilícitas para deixar a jornada mais divertida do que uma simples festa adolescente.

 

 

Neste aspecto pode até parecer mais um filme adolescente ou ainda uma versão feminina da Superbad – É hoje. Mas para o público mais atento a comparação é absolutamente injusta. Diferentemente de filmes como este, Molly e Amy não são têm a falta de habilidade social ou o desejo de vingança pintado para os nerds como em A vingança dos nerds e tampouco a “burrice da testosterona” dos personagens de American Pie que estão sempre pensando com a cabeça de baixo.

Aliás, a motivação das duas não prioriza uma paixonite num garoto (até pelo fato de Amy ser homossexual). O foco do filme está muito mais em princípios como amizade, feminismo e a simples vontade de se divertir. Apesar de Fora de série trabalhar arquétipos tão comuns aos filmes adolescentes, eles nunca são abordados de forma estereotipado: não há uma patricinha malvada temendo perder o título de rainha do baile, o garoto popular não é idealizado, o cara rico é bem legal e até a mulher mais velha que se envolve com um dos alunos está longe do perfil MILF da mãe do Stifler.

 

Filme Fora de série

 

Apesar da ação se concentrar na nossa dupla de protagonistas, há divertidas inserções de personagens que reforçam o tom cômico da trama, em especial o diretor (Jason Sudeikis) em uma sequência hilária como motorista de Lyft e a garota porra-louca da turma, Gigi (Billie Lourd) em todos os momentos aleatórios em que ela está em cena.

Na direção, Olivia Wilde surpreende em sua história ao criar um estilo próprio para filmes adolescentes. O fato de ser um filme besteirol adolescente não a priva de aplicar recursos ambiciosos como uma bela sequência debaixo d’água seguida de um plano sequência que dá o tom exato de desorientação de uma personagem quando certas coisas não saem do jeito que ela havia planejado. Definitivamente não é o tipo de coisa que você espera ver em um filme que deveria ser bobo.

 

Filme Fora de série

 

A partir deste momento eu sinto que o filme perde um pouco do fôlego com algumas escatologias desnecessárias e um final a lá Gilmore Girls, mas ainda consegue honrar suas personagens e possibilita uma continuação – embora eu seja contra isso.

Fora de série não é o tipo de filme que subverte gênero, mas aproveita seus elementos de forma a promover a sororidade e provar que adolescentes não precisam fazer escolhas burras para entregarem uma história divertida.

Nota de Fora de Série:

Imagens: Annapurna Pictures

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