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Manchester à beira-mar: Não veja se estiver na bad

Casey Affleck em Manchester a beira mar


 

Casey Affleck em Manchester à beira-mar

Tem filme que é triste porque você sofre com o personagem. Tem filme que é triste porque o casal não fica junto. Tem filme que é triste porque o cachorro morre. Mas tem filme que fica muito mais triste não só pelo episódio devastador, mas pelo sentimento de luto e vazio que se segue, não apenas nos dias seguintes, mas pelo resto da vida. Esta é a aposta de Manchester à beira-mar.

Uma coisa que precisamos deixar clara sobre este filme é que ele não é uma história completa, mas sim, um episódio específico na vida de Lee Chandler (Casey Affleck), um zelador que volta à pequena cidade de Manchester à beira-mar (nada a ver com a cidade inglesa) depois que seu irmão morre e ele vira o guardião legal do seu sobrinho de 16 anos, Patrick (Lucas Hedges).

Não tem história de superação, melodrama barato ou lição de moral aqui. O filme é sobre o luto e como ele pode se manifestar no dia-a-dia. É um filme propositalmente vazio, começando pelo protagonista, passando pela fotografia fria e isolada e fechando com os diálogos cheios de silêncio (sim, é isso mesmo o que você leu). É um filme pesado em que as ausências falam mais alto do que as presenças.

Manchester à beira-mar

Também tem um certo elemento de suspense aqui, afinal, desde o início a gente quer saber o que perturba tanto o Lee. Logo no começo ficamos sabendo da morte do seu irmão (ou seja, isso não é um spoiler). Mas com a ajuda de uns flashbacks inseridos de forma bem abrupta na narrativa, acabamos conhecendo um episódio muito mais obscuro no passado dele. Os flashbacks são jogados no meio do filme, sem recurso que indique em que momento cada episódio acontece. Se você não estiver bem ligado é fácil se perder aqui.
 


 

Os personagens não são estereotipados e não reagem como a maioria dos filmes faria, o que deixa tudo muito mais real. Os próprios diálogos, cheios de pausas, muito se parecem com algumas conversas da vida real, quando a gente não tem uma resposta na ponta da língua pra tudo. Vai ser muito difícil simpatizar com alguém aqui, mas o objetivo do filme não é fazer amigos.

O personagem do Casey Affleck, em particular, é super introspectivo, quieto, de poucas palavras e alguma ação. É aquela pessoa que vive no automático, num vazio assustador. Tem suas agressividades, mas a gente meio que se liga que o desprezo que ele demonstra pelos outros é o que ele sente por si. Não é um personagem fácil, mas não sei se é a melhor atuação concorrendo ao Oscar deste ano.

Manchester à beira-mar

O momento do desabafo geral ficou sob a responsabilidade de Randi (Michelle Williams), ex-esposa de Lee. Mesmo com pouquíssimos minutos de tela, a Michelle Williams consegue transbordar tudo o que a gente meio que estava sentindo também. A gente até espera algum tipo de reviravolta ou de reação mais viva do Lee depois disso, mas como falei, não é um filme de superações e de lição de moral. A vida simplesmente segue, mesmo quando a gente não tem muita vontade.

De forma geral, é um filme incômodo, mas com uma bela execução, principalmente estética. Pode não te fazer pensar, mas vai te fazer sentir. Não recomendo para quem estiver numa bad ou perto de objetos cortantes, pode ser bem perigoso.

Michelle Williams e Casey Affleck em Manchester à beira-mar

 

Nota:

Trailer de Manchester à Beira-Mar

Leia também: Críticas dos indicados a Melhor Filme no Oscar 2017



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