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Nem Forrest, nem Lola. Apenas corra!

Corra filme


 

Corra filme

Em uma safra de cinemas bombardeados pelos pipocões Guardiões da Galáxia 2, Rei Arthur, Piratas do Caribe e logo mais Mulher Maravilha, foi um ótimo respiro ter descoberto que algumas salas ainda passavam o suspense Corra!, escrito e dirigido pelo comediante Jordan Peele.

A cena de abertura já nos mostra que algo errado não está certo: um jovem negro está andando pelas ruas de um bairro visivelmente residencial e de classe alta (pelo que ele mesmo fala no celular) e, do nada, é levado por um cara encapuzado que estava andando de carro por ali.

Logo em seguida somos apresentados ao nosso protagonista Chris (Daniel Kaluuya), que está se preparando para um fim de semana na casa dos pais da namorada Rose (Alisson Williams). Ele se mostra um pouco preocupado com o fato de ele ser negro e ela branca, mas ela logo diz pra ele não se preocupar, porque os pais dela são super tranquilos e se pudessem votar no Obama pela 3ª vez votariam. Só gente boa, né?

Chegando à casa dos pais de Rose, Chris já percebe (e nós também) que tem alguma coisa estranha rolando. Os empregados da casa – que também são negros – se comportam de uma maneira estranha, quase que automática, com uma cordialidade bem esquisita. Fora isso, os pais parecem se esforçar bastante pra fazer com que o Chris se sinta à vontade. Mas né? Todo mundo acha meio esquisito conhecer os pais do crush, não?

O que acontece a seguir são eventos ainda mais bizarros, como uma festa com vizinhos mais velhos, todos brancos, que chegam na mesma hora e parecem estar indo a um funeral. A partir daí a história passa do “what the f…” pro “cacete, tem algo muito errado mesmo aí”. O mais legal do roteiro é que o espectador vai desvendando a treta ao mesmo tempo em que o protagonista.

A sagacidade do roteiro é tão grande que conseguiram juntar suspense, terror psicológico, alguns alívios cômicos e até mesmo crítica social no mesmo filme. Sim, porque lembra da galera bacaninha que queria votar de novo no Obama? Então, é a melhor representação que você vai ver do racismo velado. Daquela pessoa que diz “não sou racista, mas…”. Aliás, abordou o assunto de forma mais certeira que muito oscarizável desse ano.

Outra coisa bacana é que a trama não precisou se basear em jump scares pra te deixar tenso e nem em um plot twist pegadinha pra que a gente ache o roteiro inteligente. A gente até meio que imagina o que tá pegando ali e nem por isso a história deixa de ser inteligentemente mindfuck.

 


 

Se tem uma coisa que eu gosto é quando eu saio do cinema e continuo pensando no filme. Tem muita simbologia pesada ali, desde a ambientação no apartamento do Chris, passando pelos figurinos e pela majestosa cena do bingo. É aquele filme em que a gente vai se ligando das pistas depois e pensa “cara, tudo fazia sentido”. Pra quem ainda não viu, Corra! pro cinema porque esse dá gosto de ver.

Nota:

Trailer de Corra!

Fotos: Universal Pictures

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