Um amor, mil casamentos | Nem comédia e nem romance

    Um amor, mil casamentos

    Em uma tentativa persistente de trazer de volta comédias românticas, a Netflix tem sua mais recente aposta no britânico Um amor, mil casamentos. Mas, novamente, o serviço de streaming nos lembra por que ainda não conseguiu vingar este comeback: com uma produção de roteiro preguiçoso e personagens descartáveis, o resultado é um longa que não é divertido o suficiente para uma comédia e não envolve o espectador o suficiente para o romance. Um filme, no mínimo, esquecível.

    Ambientado quase que completamente em uma festa de casamento, o filme se baseia na aleatoriedade da vida e em como pequenos detalhes podem desencadear eventos maiores. Nosso mocinho é Jack (Sam Claflin), o irmão da noiva que, após ter deixado um possível amor escapar três anos antes, tem uma nova chance de se aproximar de seu interesse amoroso, Dina (Olivia Munn).

    Um amor, mil casamentos

    Só que para poder investir na vida amorosa, ele precisa driblar vários pequenos incêndios que ocorrem quando um ex-affair de sua irmã Hayley (Eleanor Tomlinson) decide aparecer na festa e soltar uma bomba no meio do casamento (sim, estamos falando de um ex da noiva). Hayley então tem a brilhante ideia de pedir que Jack coloque um sonífero no copo deste cara, Marc (Jack Farthing), para que ele apague durante o resto da festa e não incomode.

    Não preciso nem dizer que o plano não dá muito certo (e é por isso que eu não me arrependo de não ter convidado crianças no meu casamento) e outra pessoa acaba bebendo do copo “batizado”. Isso desencadeia um monte de outras tretas que o coitado do Jack tem que dar um jeito, o que o deixa sem muito tempo para as investidas em Dina.

    Cena de um amor mil casamentos

    Até aí tudo bem, era só um filme fraco. Mas lá pela metade eles resolvem mostrar uma outra possibilidade, caso outro personagem tivesse bebido o sonífero. Sim, a gente simplesmente revisita um monte de eventos com leves alterações para que o filme caminhe para um desfecho óbvio e minimamente satisfatório.

    Afinal, Um amor, mil casamentos é bom?

    Bom, acredito que se você leu até aqui já entendeu que Um amor, mil casamentos não é dos filmes mais empolgantes. Apesar do esforço de Sam Claflin em segurar um protagonista carismático e inseguro na medida certa – lembrando um pouco os personagens do Hugh Grant nos anos 1990 –, há pouco para se empolgar com o roteiro e até mesmo com o elenco. Há raras exceções no elenco que merecem um aceno, como é o caso de Joel Fry, que interpreta o “damo de honra” Bryan e funciona melhor do que como mero alívio cômico.

    Joel Fry em Um amor, mil casamentos

    Aliás, boa parte dos personagens é simplesmente descartável. A ex de Jack e seu novo namorado estão ali só pra estender uma piada sobre pênis que simplesmente não funciona e o filme insiste no assunto (sabe quando o tiozão conta uma piada, você não acha graça e ele continua “explicando” a graça? É quase isso, só que um pouco mais triste). Tem o amigo esquisitão que decide ir de kilt e não contribui em nada para a narrativa e até o próprio noivo é totalmente passável.

    A estrutura do roteiro fica repetitiva e até meio inútil, já que os eventos da segunda possibilidade de trama não ficam tão diferentes assim da primeira metade. Há muitos personagens caricatos e pouco material para comprar as histórias deles e as tentativas de piada parecem apenas um amontoado de esquetes que não contribuem para formar um todo. O fim é exatamente o que você espera e não há necessariamente uma mensagem, uma lição aqui. Há algumas narrações na voz da Judi Dench pra explicar as “peças do destino” mas até isso fica desconexo da história, criando mera facilitação narrativa para tentar remendar o ponto A ao ponto B.

    Um amor, mil casamentos

    Vale lembrar que Um amor, mil casamentos é um remake de um filme francês de 2012 chamado Plan de Table e que a produção conta com roteiro e direção de Dean Craig, que fez o divertido Morte no funeral. Infelizmente, ele não conseguiu repetir a sagacidade do seu humor ácido aqui.

    Enfim, não foi com Um amor, mil casamentos que a Netflix conseguiu acertar a mão em uma comédia romântica. Com personagens pouco carismáticos, uma trama esquecível e um humor de gerar sorrisos amarelos, o filme ficará escondido lá nos confins do catálogo para nunca mais ser revisto.

    Nota:

    Imagens: Netflix

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