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Mr. Vingança | O aquecimento para Oldboy

Mr. Vingança


 

Antes de lançar o aclamado e copiado Oldboy, o diretor Chan-wook Park fez Mr. Vingança (Boksuneun naui geot ou ainda Sympathy for Mr. Vengeance), ensaiando o que se tornaria a Trilogia da Vingança. O tom de experimento é claro quando se coloca o filme neste contexto, mas Park já deixa claro a que veio.

A história foca em Ryu (Ha-kyun Shin), um trabalhador surdo-mudo que mora com sua irmã, que está na lista para um transplante de rim. Sem muita paciência e sabendo do perigo que a vida dela corre, Ryu sabe de um grupo que opera transplantes “paralelos”, o que poderia salvar a vida de sua irmã. O custo para a operação é o mesmo do hospital convencional.

Mr. Vingança

Sabe aquela história de acordar em uma banheira de gelo com uma cicatriz no torso e descobrir que o seu rim foi roubado? Então, é exatamente isso o que acontece com Ryu, que agora fica sem o dinheiro e um dos rins.

Pra completar a desgraça, poucos dias depois o hospital liga e diz que conseguiram um doador compatível para a irmã. A cirurgia poderia ser feita, desde que o dinheiro fosse depositado, é claro. Mas né? Como diz aquele filme que passa dentro de Esqueceram de mim: “dinheiro? Que dinheiro?”.

Desesperado por uma solução, Ryu segue o conselho de sua namorada e sequestra a filha do amigo de seu chefe. O dinheiro do resgate serviria para pagar pela cirurgia. Lógico que a irmã dele não sabe nada sobre esse plano e não fica nada feliz quando descobre por que aquela menina está vivendo com eles.
 

 

A partir daí é só desgraça do tipo mais revoltante, com algumas mortes que poderiam ter sido evitadas, o desejo de vingança e até mesmo descobertas sobre a namorada de Ryu que conseguem dar um tom cômico mesmo em uma trama tão macabra.

Só pelo roteiro já vale assistir Mr. Vingança. A equipe de roteiristas conseguiu construir algo que, num primeiro momento, não é tão claro ao espectador mas ainda assim ele consegue entender o que está acontecendo, principalmente ao juntar os fragmentos de cenas e montar em uma linha narrativa. A história é tão intrincada, complexa e cheia de reviravoltas que os momentos de WTF não são poucos. Mesmo criando situações tão absurdas que te levam a questionar a qualidade do desfecho o final não decepciona.

Mr. Vingança

Mas o filme não depende apenas de seu elaborado e insano roteiro. Tanto a parte visual, como direção de arte e fotografia, como a edição de som e escolha de trilhas sonoras corroboram com o clima ameaçador e desolado que a trama exige. Se tudo no filme parece ser apenas uma sequência de desgraças (ainda que genialmente orquestradas) é graças à qualidade técnica do filme.

Mas uma das coisas que mais chama a atenção tanto no filme (e que se repete nos outros dois filmes da trilogia) é a caracterização dos personagens e a relação delas com arrependimento e vingança. Entenda: não é um filme de mocinhos e bandidos. O que assistimos são pessoas teoricamente boas que cometem atos desesperados e causam o mal.

Igualmente interessante é a relação destes personagens com crime, castigo e vingança. Dois lados da história buscam se vingar por motivos aparentemente legítimos, mas nem assim a vingança resulta em algum tipo de redenção. Como diria o Sr. Madruga: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”. E é o que os personagens de Mr. Vingança aprendem da forma mais dura.

Mesmo com o tom experimental, Chan-wook Park entrega um filme complexo e completo, diferente de muito do que se vê no circuito de Hollywood. É daqueles filmes de desgraçar mesmo a cabeça e deixar todo mundo na bad mesmo. Se você gostou de Oldboy, trata-se de uma obra obrigatória.

Nota de Mr. Vingança:

Imagens: CJ Entertainment


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