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O plano imperfeito | Comédia romântica para millenials

O plano imperfeito

 

Existem comidas exóticas, complexas e existe comfort food, que é aquela comida já conhecida que te faz sentir nostalgia e, claro, conforto. O plano imperfeito é a comfort food do cinema: não tem nada muito mirabolante, elaborado ou complexo. Ele só te preenche com sentimentos bons, alimentados pela sua simplicidade.

Nesta comédia romântica original Netflix conhecemos dois personagens centrais: Harper (Zoey Duetch) e Charlie (Glen Powell). Os dois são jovens assistentes pessoais de seus terríveis e temperamentais chefes. Harper trabalha para a jornalista esportiva casca grossa Kirsten (Lucy Liu), enquanto Charlie atura os chiliques do investidor Rick (Taye Diggs). Sabe aquele lance de passar longas horas no escritório sofrendo bullying e não ter tempo para a vida pessoal? Os dois passam por isso, assim como Anne Hathaway passou em O diabo veste Prada.

 
O plano imperfeito em questão é a união destes dois superassistentes que têm um objetivo em comum: conseguir mais horas fora do trabalho. O plano? Unir seus chefes em um casal romântico para que eles tenham meio que uma distração fora do trabalho. A estratégia? Algo bem próximo a Operação cupido, “um clássico de Lindsay Lohan”, como o próprio filme prefere definir (millenials, gente).

Não precisa ter muito mais do que dois neurônios pra se ligar que quem vai acabar se apaixonando ali são os próprios Harper e Charlie, mas a forma como isso acontece parece um pouco mais natural e menos forçada do que a maioria das comédias românticas se propõe. É formulaico? É, mas não chega a te dar nos nervos.

 


 

Boa parte dos méritos para que o filme não se torne enfadonho está no frescor e vigor dos dois protagonistas, que não são grandes nomes de Hollywood e nem vencedores de Oscar. Zoey Deutch é o coração do filme ao representar as mulheres de 20 e poucos anos de hoje em dia: de fala rápida, super eficiente, mas que sofre com algum grau de ansiedade que a trava quando o assunto é ir atrás dos seus sonhos (que envolvem trabalho, não homem, que fique claro). Glen Powell também tem carisma o suficiente pra manter a interação dos dois interessante e saudável, só não brilha tanto como a colega protagonista.

O filme conta ainda com a ajuda de coadjuvantes que dão um tempero extra ao humor. Lucy Liu e Taye Diggs estão ótimos em suas versões mais modernas de Miranda Priestly (again, O diabo veste Prada) e os amigos dos protagonistas são aquela rede de proteção que os impede de serem absolutamente solitários. O elenco renderia um sitcom legal ao estilo de Friends para millenials.

Um plano imperfeito

O ritmo não é um problema neste filme, já que ele consegue apresentar novos elementos para deixar a história interessante e o espectador engajado. Ainda assim, nenhum destes elementos é muito original e você não se esquece por um segundo que, sim, ainda está assistindo apenas uma comédia romântica só que com roupas da moda.

Uma coisa bem bacana do filme é a forma como as personagens femininas são desenvolvidas, provavelmente porque o filme conta com uma roteirista (Katie Silberman) e uma diretora (Claire Scanlon). Pode ver: não tem ninguém correndo atrás do cara, nenhuma delas é perfeita (e elas sabem disso) e, apesar do bullying, há algo muito saudável na relação de Harper e Kirsten. Não, elas estão longe de serem amigas, mas sororidade vale pra todas, não?

Apesar de apostar numa fórmula bem fechadinha e ser extremamente previsível, Um plano imperfeito é aquele filme que vai massagear o seu cérebro ao final de um dia longo o estressante. Preferencialmente com uma boa comfort food pra acompanhar.

Nota:

Trailer de Um plano imperfeito

Imagens: © KC Baily

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