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Atentado ao Hotel Taj Mahal | Suspense que prende de início ao fim

Dev Patel em Atentado ao Hotel Taj Mahal


 

Os eventos de ataques terroristas de um grupo islâmico em vários pontos de Mumbai em 2008 são retratados no filme Atentado ao Hotel Taj Mahal, dirigido por Anthony Maras e estrelado por Dev Patel (Lion e Quem quer ser um milionário). Embora a abordagem e fidelidade aos fatos possa ser questionada, é inegável a capacidade do filme em manter o espectador ligado de início ao fim.

O filme começa situando rapidamente o espectador em relação a alguns elementos importantes para a trama: o contraste do grupo terrorista chegando de bote na cidade com o luxo e impecável zelo dos funcionários do hotel, deixando bem clara a cultura de “o hóspede é Deus”. Alguns personagens também são apresentados ao público, como o funcionário do hotel Arjun (Patel), pai de família e com uma esposa grávida que se esforça para sustentá-los. Ele é meio que eleito para representar os indianos no filme (ou para mostrar que o diretor não se esqueceu deles).

Dev Patel em Atentado ao Hotel Taj Mahal

Os atentados começam fora do hotel, cujos hóspedes permanecem alheios aos eventos, como é o caso do casal Zahra (Nazanin Boniadi) e David (Armie Hammer), que têm um recém-nascido, e do russo com pinta de detestável Vasili (Jason Isaacs). Isso até que um grupo de pessoas (em sua maioria turistas ocidentais), fugindo dos atentados busca refúgio no hotel, que os recebe. Só que com o grupo assustado entram quatro dos terroristas.

Não demora muito para que o terror se instale no saguão, com tiros à queima-roupa em pessoas aleatórias e uma sensação de pânico misturada de confusão. Percebendo esta movimentação, o pessoal do restaurante – onde estão Arjun e os três personagens ocidentais – apaga as luzes para não atrair a atenção dos terroristas. Paralelamente, uma funcionária da recepção se esconde para ligar aos hóspedes nos quartos, pedindo para que eles não abram as portas.

 


 

A sensação de caos e o suspense enervante proporcionados por Maras funcionam muito bem aqui. Apesar dos atentados continuarem ocorrendo do lado de fora, o espectador se sente acuado e preso aos eventos do luxuoso hotel – que até então parecia ser um oásis de civilidade e segurança (ao menos na visão ocidental) em meio ao conturbado centro urbano de Mumbai. Você se pega imaginando o que faria numa situação como essas.

A tensão cresce quando os terroristas, sempre acompanhados de um ponto telefônico por onde mantêm contato com um misterioso chefão, se dirigem aos quartos. O momento mais tenso ocorre quando uma mulher desesperada chega ao quarto onde está o bebê de Zahra e David e a babá Sally (Tilda Cobham-Hervey). Ao buscar refúgio, ela atraiu a atenção de dois terroristas para o local, ao que Sally rapidamente se esconde no armário com a criança. Não preciso nem dizer o quão desesperador é jogar o elemento “bebê” em uma cena cujo silêncio é crucial para a sobrevivência (Um lugar silencioso que o diga!).

Terroristas chegam ao Hotel Taj Mahal

Conforme os eventos se desenrolam e os personagens mudam de posição no hotel – mas nunca próximos de se salvarem completamente – o filme perde um pouco do fôlego ao entregar uma narrativa que aguarda apenas pela chegada de um tipo de salvação, sem desdobramentos muito significantes entre um ponto e outro. Nem quando os terroristas começam a pôr fogo no hotel você se preocupa tanto, só quer que aquilo acabe logo.

Um dos meus principais problemas com Atentado ao Hotel Taj Mahal é que ele cai na mesma armadilha da maioria dos filmes sobre terrorismo ambientados no oriente: o destaque ainda fica para os ocidentais. Tem ali o Dev Patel pra representar a população local, e claro, o resto do staff do hotel, mas parece que precisa de personagens ocidentais pra que o público preste atenção. Dá a ideia de que o terrorismo serve apenas contra o ocidente, quando na verdade ele prejudica toda a humanidade.

Dev Patel protege os hóspedes

Outra coisa que poderia ser questionada é a falta de recorte do que estes atentados realmente foram. Beleza que o filme não nega que também houve ataques em outros locais, mas os eventos do Taj não dão uma noção do terror que aquilo representou em Mumbai: foram quatro dias de ataques e mais de 160 pessoas mortas. O filme certamente não dá esta ideia, mas é fácil entender a escolha do diretor, que foi a mesma dos terroristas: o hotel é um ambiente fácil de controlar e cuja imponência atrai os olhos de todo o mundo. Além disso, mostrar a vulnerabilidade de um ambiente tido como seguro certamente chama a atenção.

Apesar de alguns nomes conhecidos no elenco, fica com Dev Patel o único destaque de atuação no filme. Ele é o que mais consegue transmitir o misto de medo com um surpreendente controle da situação de quem ainda tem um trabalho a fazer. Poderia ter sido melhor aproveitado na trama, mas entendo que a escolha do diretor foi de não querer dar destaque a nenhum tipo de herói – por mais que Arjun tome algumas atitudes heroicas.

Atentado ao Hotel Taj Mahal

Diferentemente dos filmes de ação anteriores ao 11 de setembro, cujo único objetivo era entreter, a nova leva de filmes que se baseiam em acontecimentos reais sempre dão uma contida na “diversão”. É o que acontece em Voo United 93, mais recentemente em 22 de Julho e é o que acontece em Atentado ao Hotel Taj Mahal. O problema é que nunca fica uma mensagem muito clara a não ser lamentar o mundo em que vivemos.

Atentado ao Hotel Taj Mahal não é um filme que faça justiça às mais de 160 mortes naqueles atentados e nem tem o objetivo de ser um registro mais documental e fiel dos fatos. Para um filme de suspense funciona como bom entretenimento desde que você consiga se distanciar dos fatos.

Nota de Atentado ao Hotel Taj Mahal:

Imagens: © 2017 – Arclight Films
 


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