Jojo Rabbit | Humor duvidoso sobre a Segunda Guerra

    Jojo Rabbit

    Comédias sobre a Segunda Guerra, como Jojo Rabbit não são novidade. Nós já vimos algumas tiradas bem ácidas sobre o 3º Reich em O Grande Ditador, de Chaplin, Primavera para Hitler, de Mel Brooks, e mais recentemente Bastardos Inglórios, de Tarantino. A diferença do filme do diretor Taika Waititi é que ele não é nem tão ousado e nem tão divertido como seus predecessores.

    A história gira em torno de Jojo (Roman Griffin Davis), um menino alemão solitário que participa dos treinamentos nazistas para crianças. Ele tem o próprio Hitler (Taika Waititi) como amigo imaginário e quer se tornar o maior exterminador de judeus da Alemanha, embora não tenha coragem de matar um coelho. Ele é confrontado com seu sentimento ultranacionalista ao descobrir que sua mãe Rosie (Scarlett Johansson) está escondendo uma menina judia dentro da própria casa.

    Jojo Rabbit

    Com essa premissa, Taika Waititi navega por territórios semelhantes aos de filmes como O Menino do Pijama Listrado A Vida é Bela, mostrando a guerra do ponto de vista de uma criança, inocente demais para assimilar todos os horrores que acontecem a sua volta. Só que neste quesito falta sensibilidade e mostrar quais são estes horrores – que evoluem conforme a narrativa avança, mas ainda parecem bonitinhos demais para o que realmente foi a Segunda Guerra.

    Personagens que estão presentes na jornada de Jojo são os nazistas que treinam as crianças: o Capitão Klenzendorf (Sam Rockwell) e a Fraulein Rahm (Rebel Wilson). Mas estas figuras são estereotipadas demais para levarmos a sério e para que elas acrescentem algo a trama. A decepção é grande particularmente no caso de Rockwell, porque a gente sabe que ele sabe interpretar bem um personagem racista, ele até ganhou um Oscar por isso. Alfie Allen também está neste grupo, mas ele está tão apagado quanto o espírito de Theon Greyjoy quando estava sendo torturado por Ramsay Bolton (Game of Thrones reference!).

    Alfie Allen e Sam Rockwell

    Mas afinal, Jojo Rabbit tem algo de bom?

    Há algumas qualidades que podemos elencar em Jojo Rabbit, mas não sei se são suficientes para a indicação a seis Oscars. Vamos começar pelo design de produção, que está entre os mais fortes do ano. Os cenários, as cores, o figurino… tudo é muito bem trabalhado e equilibrado. Lembra bastante os filmes do Wes Anderson. O problema é que parece tirar o peso dos horrores da própria guerra, que deixou a Alemanha devastada.

    Em termos de atuação podemos destacar o próprio Roman Griffin Davis, que interpreta Jojo. Ele foi muito bem dirigido por Waititi para entregar uma pureza, mesmo em meio a intenções nefastas. A jornada do personagem sobre o que é certo e errado consegue conduzir a história de forma operante, mas nem um pouco excepcional.

    Scarlett Johansson e Roman Griffin Davis

    Outro destaque é o personagem de Scarlett Johansson, que é provavelmente a única aqui que tem um pouco mais de camadas a serem trabalhadas. Sem os exageros fantasiosos de Roberto Benigni em A Vida é Bela, ela entrega um pouco mais de sobriedade ao falar da guerra com Jojo e sabe lidar com os nazistas apesar de suas crenças pessoais e do segredo que ela esconde em casa. Se a atuação é digna de indicação para Oscar, aí não tenho tanta certeza.

    Infelizmente a intenção de Taika Waititi parece ser boa, mas ao se propor a produzir uma comédia ousada sobre nazismo ele falha nos dois objetivos: o filme não é suficientemente engraçado e comportado até demais. Ao apresentar uma visão simplista e caricata de mocinhos e bandidos, Jojo Rabbit não acrescenta em termos de história e nem de diversão.

    Nota:

    Imagens: 2019 Twentieth Century Fox Film Corporation – © 2019 20th


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