Os oito odiados: O Tarantino para ser odiado e amado ao mesmo tempo



    Pra começo de conversa é preciso esclarecer que essa é uma avaliação da minha primeira experiência com Os oito odiados. Assim como aconteceu com a primeira vez que eu tive contato com Tarantino, acredito que a minha opinião amadureça com o tempo. Também é preciso esclarecer que eu assisti esse filme com muito sono, mas que o filme alimentou esse sono ainda mais.

    Samuel L Jackson em Os oito odiados

    Mas vamos lá. Pra ser justa com Os oito odiados é preciso colocá-lo em dois contextos: filmes de Quentin Tarantino e filmes da indústria cinematográfica de forma geral, principalmente produções de Hollywood.

    Quando comparado a outras obras do cânone de Tarantino, ele figura entre os mais fracos, pelo menos pra mim. O roteiro não é tão elaborado, o ritmo é lento, os personagens não geram empatia e aquele lance de todo mundo num ambiente tentando resolver um mistério a gente meio que já viu em Cães de aluguel. Não é à toa que dessa vez Tarantino ficou fora da disputa de Melhor roteiro, categoria que sempre foi meio que certeira pra ele. Poderia ter enxugado. Uns 40 minutos a menos de filme resolveriam o problema.

    Os oito odiados

    Sobre a falta de carisma dos personagens, eu nem reclamo muito porque isso é meio que o objetivo de tudo, né? Afinal, o nome do filme é Os oito odiados e não “Os oito amados, queridos, fofinhos, etc.”. Vale lembrar que em momento algum isso é falha de atuação, muito pelo contrário. Eles fazem um trabalho tremendo pra serem desprezados por nós. Principalmente Jennifer Jason Leigh e sua Daisy, que recebeu uma indicação a Melhor Atriz Coadjuvante e ainda arranca algumas risadas do público, quebrando um pouco o marasmo da história.


    Mas agora vamos jogar Os oito odiados na indústria e ver que ainda se trata de um filme muito bem feito. A trilha sonora do icônico Ennio Morricone já arrancou um Globo de Ouro e tem chances reais de levar um Oscar também. A fotografia foi provavelmente a minha parte preferida. Apesar de ter sido filmado em 70mm, Tarantino conseguiu fazer com que várias ações estivessem em foco ao mesmo tempo, na mesma sequência. É quase um mosaico em que você pode escolher qual personagem quer acompanhar. Sim, existe uma ação central que supostamente é aquela que você deveria prestar mais atenção, mas repare nos atores em segundo plano e a história se torna muito mais interessante, além de completa. Mais um motivo pelo qual não é 100% justo avaliar o filme com apenas uma assistida.

    Tarantino em Os oito odiados

     

    A impressão que dá é de que o Tarantino fez o filme pra ele e não pra Academia. O filme é o que é e, assim como qualquer outra obra do diretor, não é uma unanimidade. Na parte técnica percebemos um Tarantino maduro e meticuloso. Já na parte de roteiro, ele nos põe à prova para um ritmo muito mais devagar e um desfecho simplista. Pode não ter sido tão interessante, mas pelo menos não podemos reclamar da falta de versatilidade do diretor.

    Filmagem de Os oito odiados

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