Jack Sparrow
Piratas do Caribe 5 | O longo adeus de Jack Sparrow
06/06/2017
Brilho eterno de uma mente sem lembranças
5 filmes pra acompanhar solteiros no Dia dos Namorados
12/06/2017

Tem que ser muito chato pra reclamar de Mulher Maravilha

Gal Gadot como Mulher Maravilha

Gal Gadot como Mulher Maravilha

Eu confesso que não sou a pessoa mais empolgada quando anunciam mais uma adaptação de super-heróis dos quadrinhos. Acho que essa empolgação acabou em algum momento entre o fim da trilogia do Batman do Nolan e o início do universo dos Vingadores da Marvel. Ficou tudo muito repetitivo: sobra CGI, cachês polpudos, explosão pra tudo que é lado e uma história de derrotar o monstrão e salvar o mundo que se encerra ali mesmo.

Tanto é que quando anunciaram o filme da Mulher Maravilha eu segui no meu ceticismo, ainda mais com a escalação da Gal Gadot, uma atriz que eu duvidava muito que conseguiria SER a Mulher Maravilha nas telonas. Com todo o hype em torno do filme a minha descrença continuou, mas com um pouco mais de interesse.

Logo no início da história a gente já vê que é um filme de super-heróis diferente por um detalhe: mulheres! Os primeiros minutos são encenados somente por elas, com nomes, dialogando entre si e falando de assuntos que não envolvam homens. Acredite, isso não é muito comum em Hollywood nem em pleno século XXI. A ambientação é na Ilha de Themyscira, lar das Amazonas, onde Diana nasceu do barro, a partir de um pedido da Rainha Hipólita a Zeus. Quem curte mitologia grega vai gostar bastante desta parte e quem conhece a origem da personagem das HQs vê que tem muito respeito à história.

Robin Wright em Mulher Maravilha

É a típica história de origem, em que Diana (Gal Gadot) desde pequena quis se tornar uma guerreira e, com o treinamento da tia Antiope (Robin Wright) se tornou a melhor de todas. Rola um CGI responsável, que conseguiu deixar a ilha impressionante e ao mesmo tempo crível. Logo no início, a gente já percebe que a atuação da Gal continua limitada, principalmente quando ela contracena com a Robin Wright que é diva a vida inteira e rouba toda cena em que aparece.

Mas a história pega mesmo quando o espião Steve (Chris Pine) vai parar meio que por acaso na ilha das amazonas e fala da grande guerra. Diana sente que é sua missão ir ao conflito, derrotar Ares e salvar o mundo. Parece bobinho? Parece, mas ela foi criada ouvindo essa história e acreditando que era assim que as coisas se resolviam.

Gal Gadot em Mulher Maravilha

A ambientação do período de guerra é bem competente e dá uma ideia melhor de realidade, coisa que falta muito na maioria dos filmes de super-herói. A adaptação de Diana ao mundo “real” é meio bobinha, mas consegue ter uma diversão leve, que entretém o público. Sem contar que fazia tempo que eu não via uma história de origem com cara de história de origem: a Diana é obstinada e focada, mas ela ainda é muito ingênua e não entende muito bem o seu papel em meio a toda a treta. Pode ver, na maioria dos outros filmes basta o cara ter um traje que de repente ele sabe exatamente quem é e o que tem que fazer.

Um aspecto que me chamou muita atenção e que deu um brilho extra a Mulher Maravilha é sair um pouco do grande cenário e trazer para os detalhes: o filme é muito competente em mostrar a tragédia causada pela guerra. As pessoas estão desesperadas, pedindo ajuda à Diana ou a quem puderem. No outro momento elas estão mortas e Diana vê isso, ela sente este terror. É um detalhe que humaniza o roteiro e traz o conflito pra perto do espectador, tornando tudo mais crível.

Chris Pine em Mulher Maravilha

Como comentei, a atuação da Gal Gadot não é das melhores, mas dá pra ver que ela é esforçada e tem um carisma que faz a personagem crescer. O fato de ela estar meio perdida ajuda. Pro papel a que ela se propõe, a atuação não chega a prejudicar o filme. Uma das coisas que eu ouvi questionarem foi o físico dela, que deveria ser um pouco mais musculoso e parecido com os quadrinhos. Mas gente, vamos combinar: as mulheres atravessam gerações com pressões absurdas pra ter um corpo perfeito. Acho que não fazer a Gal se encher de whey e crossfit foi uma atitude de respeito às mulheres. E né? Todo mundo sabe que os padrões de físico dos quadrinhos são irreais, tanto pra homens como pra mulheres. O único que fica igual mesmo é o Hulk e todos vocês sabem que aquilo ali não é o físico do Mark Ruffalo.

Já que entrei no assunto de respeito às mulheres, podem reparar que, apesar da roupa curta, a edição não tem nada de close em peito e bunda. Até o romancezinho (desnecessário) com o Chris Pine ficou discreto. Sem strip. Sem nudes.

Gal Gadot em Mulher Maravilha

Como nem tudo são flores, é claro que o filme peca em alguns aspectos. Primeiro deles: slow motion! Não tanto quanto eu esperava, mas em momentos desnecessários. Esse excesso fez com que momentos decisivos mais pra frente perdessem o impacto. Se tivesse mantido a velocidade normal as lutas seriam mais eletrizantes.

Spoiler alert!

Outra coisa que achei meio “fuém” foi a demora pra acabar com o conflito final. Beleza, apareceu o vilão e deu a sua lição de qual é a real. Não precisava esticar aquilo por uma batalha de mais uns 20 minutos. Todo mundo ali sacou que não haveria vitória total. Eu sei que eles precisavam de uma vitória simbólica, mas podiam ter sido bem mais econômicos nisso.

Fim do spoiler.

Mulher Maravilha

De forma geral, é um filme que consegue se posicionar acima da média do subgênero de super-heróis pela sensibilidade, atenção a detalhes e uma mensagem final. Sim, o filme tem algo a dizer, não é só matar o monstrão e destruir todos os prédios por perto. A satisfação é ainda maior por se tratar de uma protagonista mulher, principalmente depois das vergonhas recentes de Elektra e Mulher Gato.

Que a repercussão positiva sirva para encorajar os estúdios a investir não só em mais protagonistas mulheres, mas em diretoras como a competentíssima Patty Jenkins. A torcida é de que Mulher Maravilha tenha aberto as portas neste sentido. E que a Marvel crie vergonha na cara e aposte nas suas heroínas também. Viúva Negra tá lá só esperando uma ligação pra que isso aconteça.

Imagens: Warner Bros.